quarta-feira, 4 de julho de 2018

Você ver ou enxerga o outro..


As vezes me questiono como enxergamos de verdade o outro. Como é por dentro a pessoa. A possível resposta me assusta por demais quando paro para refletir..
Me recuso a aceitar que o outro seja julgado e rotulado por seus atributos físicos ou/e financeiros. É vaga demais tal conclusão. É o mesmo que afirmar que um pote grande de maionese tem mais sabor do que um pequeno, sendo que ambos são feitos do mesmo material. Vivemos numa sociedade extremamente visual e que não tem tempo para ouvir o outro. Temos ânsia em querer o belo esterotipado que não damos o mínimo valor no belo interiorizado. O emocional perdeu para o racional nesta vaga batalha de egos inflamados. 
Eu gostaria muito de poder voltar no tempo, de ter o privilégio de viver as serenatas. Os passeios no parque. Tomar sorvete com calda e rir a tarde toda. Poder fazer planos para o futuro e incluir mais pessoas além de mim neles. Receber e enviar cartas. Tirar muitas fotos apaixonadas. Uma época onde o sexo era a conclusão de toda uma história e não o início dela. O mundo evoluiu e muito, precisava evoluir afinal é para frente que se caminha. Mas nos perdemos nesta evolução. Perdemos o essencial, o saber olhar o outro. Nos tornamos máquinas sexuais onde o prazer e tão somente o prazer do seu eu egocêntrico vem em primeiro lugar.  
O romantismo está a cada dia mais fadado a morte. A troca de olhares foi substituída pela passada de maos. E quando o corpo passa a dominar a emoção, o resultado é este que vemos em nossa sociedade, pessoas lindas com corpos esculturais e muitas das vezes com dinheiro para se gabar, porém vazias e totalmente votadas para si. Estas pessoas não sabem compartilhar sentimentos, uma vez que estão sempre se comparando e se enaltecendo sobre os outros. 
Este tipo de pessoa que está dominando a sociedade não se relaciona porque viu o no outro uma chance de juntos serem felizes, nao pelo contrário, se relaciona por que viu no outro a chance de ganhar algo material ou poder exibir para todos um troféu carnal. É deprimente demais. 
A racionalidade nunca deveria excluir a emoção. Ambas deveriam coexistir e juntas evoluirem a existência humana. 
Nao somos melhores quando atingimos o ápice da glória física ou material, somos quando conseguimos enxergar no outro o que está além de sua aparência..

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