domingo, 20 de maio de 2018

Como se libertar da CASCA...

Somos o que somos, ou somos o que queremos aparentar ser...

   Por muitos e muitos anos eu me recolhi dentro de uma casca, como se não houvesse outra saída, e de certa forma eu ainda vivo nesta casca, porém de uma forma mais aveludada, eu me dou o luxo de sair e contemplar o mundo, mas sempre volto para ela instintivamente..
   Aqui dentro eu encontro refugio, encontro segurança, mas até onde esta segurança é verdadeira. Ela vem com um preço muito alto, ela vem acompanhada de uma falsa liberdade que não somente oprime  meus atos como me distancia a cada dia mais da realidade que me cerca, é altamente perigosa esta casca, mas ainda não consigo identificar como ela surgiu e como eu a fiz minha morada utópica. Lembro me que na minha infância eu nunca tive coragem para me expressar, de gritar minhas vontades e anseios ao mundo, eu sempre acatei a vontade alheia, era como uma proteção para mim. Se eu fosse bom e abaixasse a cabeça eu não teria que opinar e consequentemente ganhava a proteção de todos a minha volta, mas não ganhava o respeito e hoje tenho certeza disso. Respeito e submissão nao caminham de mãos dadas. Hoje eu arco com este comportamento, e isso é profundamente triste.
É certo que somos consequências inevitáveis das nossas escolhas. O agora se refletirá no depois que, por sua vez, se encerrará na justificação do antes. Ora, o medo é, muitas vezes, inevitável, mas isso justifica que eu adote uma postura passiva de quem sabe o que me espera, mas espera retardar o devir inevitável?
Assisto diariamente pessoas que sabem que se aproximam de momentos decisivos (se é que todos não o são), mas que se fazem indiferentes a essa realidade, como se o não pensar no que lhes vem, evita-se o que de fato lhes virá. Pessoas que ignoram que seu esforço será justificado, mas que sua indiferença e inação lhes serão cobradas pela credora mais cruel: a vida.
Nós somos donos do nosso destino e a sorte não nos ajudará de graça.

Vontade de pular de para queda, esquecer das escolhas erradas feitas em terra, pular para o passado e quem sabe fazer tudo diferente. A sensação de queda livre é a melhor sensação quando acontece literalmente, porque em outros sentidos não é nada agradável. Podíamos fazer sempre as escolhas certas, assim saberíamos que está o melhor possível. Decidi não decidir nada e deixar acontecer, mas mesmo assim, isso é uma decisão. Uma hora tenho que dizer sim ou não, mudar ou não, arriscar ou não. Cansei, não sei o que quero.




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